Espaço Literário do Leitor

 

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Canuto Abreu - O Livro dos Espíritos e sua tradição histórica e lendária.

Cap: 6 

Recomendado por Carlos França.

RUE DES MARTYRS Nº 8 - PARIS
No segundo andar deste prédio residiu Allan Kardec, e foi aqui que o Codificador da Doutrina Espírita, em seu pequeno escritório, ficava até altas horas da noite analisando as mensagens e redigindo os seus textos.
O imóvel mantém as mesmas características da época, inclusive a cafeteria no térreo, fundada em 1.840, conforme nos conta Canuto de Abreu em seu livro, de 1.957.

O MODESTO APARTAMENTO ficava nos fundos do segundo andar dum prédio de quatro pavimentos, na Rue des Martyres n 8. Estreito e longo, tinha o segundo andar, nos fundos, um corredor que dividia a casa em dois apartamentos, C e ‘D’. O da direita (‘D’) era a moradia do casal RIVAIL, com três portas para o corredor. A 109 primeira abria o escritório; a segunda a saleta de visitas, e a última, a cozinha. O compartimento da frente, com janela de venezianas verdes para o pátio central do prédio, repartia-se ao meio por um tabique de madeira, empalado dos dois fados e paralelo à linha da frente. Metade do compartimento, de janela para o pátio, servia de quarto de dormir, com espaço de quatro metros por dois e meio. Outra metade, da janela para a área interna do apartamento, destinava-se ao escritório, com igual metragem. A saleta de visitas, de três metros por dois e meio, e a sala de jantar, de três metros por quatro, abriam, cada qual a sua, janelas para a mesma área. Estas salas separavam-se por um simples reposteiro de veludo vermelho-escuro, em dois panos, presos a argolas de madeira que corriam ao longo do travessão roliço. Todas as janelas possuíam estores de linho creme, bordados nas pontas inferiores e com largas bainhas de ‘point-à-jour’. Apesar de exíguo, o escritório comportava um grupo de carvalho, em estilo ‘Império’: Escrivaninha, poltrona, duas cadeiras e uma estante envidraçada. Peças pequenas, delicadas, envernizadas em claro, ornamentadas de bronze, adquiridas, em 1825, para o gabinete do diretor do ‘Instituto Educacional Técnico’, da Rue de Sèvres 35, Paris. A estante estava pejada de livros. Nas paredes empapeladas penduravam-se numerosos quadros de tamanhos, feitios e molduras diferentes. No maior, de sessenta por quarenta centímetros, o retrato a creiom de PESTALOZZI, desenhado, especialmente, para o salão nobre do referido ‘Instituto’. Destacava-se, depois, pela novidade, uma daguerreotipia, em metal prateado, estampando RIVAIL de meio-perfil, com sua vasta cabeleira a cobrir-lhe a metade da orelha e seus abundantes ‘favoris’. Por um dístico de prata, afixado em baixo, no centro da moldura, via-se ter sido oferta de ‘Alunos do Liceu Polimático a seu Paraninfo’, em data de 3 de outubro de 1847. Comparando-se a cópia daguerreotipada com o original em 1857, a diferença chocava: RIVAIL tinha envelhecido muito em dez anos, ganhando, em rugas, o que perdera em cabelos. 110 Além de muitos quadros com desenhos e debuxos, uns a bico de pena, outros a creiom, feitos por Gabi, notavam-se alguns diplomas de sociedades culturais, outorgados a RIVAIL. Esses diplomas, de origens, datas, molduras, tamanhos os mais diversos, pendiam-se de várias alturas, nas paredes. Eis os mais curiosos: De ‘Sócio Honorário’ da SOCIEDADE DE ESTUDOS GRAMATICAIS, de Paris, fundada em 1807, expedido em 5 de abril de 1, de ‘Sócio Fundador’ da SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA DOS PROFESSORES DE INSTITUTOS EDUCACIONAIS, de Paris, emitido em 18 de junho de 1829; de ‘Sócio Correspondente’ da SOCIEDADE DE AGRICULTURA E FOMENTO, do Departamento de Ain, tirado em 4 de novembro de 1828; de ‘Sócio Contribuinte’ da SOCIEDADE PRÓ-EDUCAÇÃO NACIONAL, constituída por Professores de Institutos e Diretores de Colégios Internos da França, sediada em Paris, concedido em 15 de outubro de 1830; de ‘Mérito Superior’ outorgado, pelo júri da SOCIEDADE REAL DE ARRÁS, em 16 de agosto de 1831, tendo apensada, por cima do vidro, uma fita de cores nacionais da França, à ponta da qual se pendurava uma medalha de ouro do tamanho de um ‘luis’ francês, contendo no verso: Concurso de 1831/ 1 Prêmio e, no anverso: Educação e Ensino / Sociedade Real de Arrás; de ‘Sócio Catedrático’ do INSTITUTO HISTÓRICO DA FRANÇA, em Paris, datado de 10 de maio de 1835; de ‘Sócio Fundador’ do INSTITUTO DE LÍNGUAS VIVAS’, com sede em Paris, manuscrito em 1 de dezembro de 1837. Na saleta de visitas, mobiliada com simplicidade e bom gosto, havia à parede alguns quadros a óleo pintados por Amélie BOUDET. Dentre os móveis de mogno enfeitados de bronze, postos sobre tapete Aubisson de fundo vermelho, salientava-se, a um canto, um armário artístico, de porta de cristal convexo, de madeira toda embutida a mosaico e, parcialmente, pintado a óleo. Nele alinhavam-se, em prateleiras de cristal, encadernadas num mesmo feitio e tom, os livros prediletos de Gabi. Nas filas superiores, com lombadas de couro gris polido e letras douradas, em ordem cronológica, a obra de ‘H-L-D-RIVAIL’: ‘Aritmética do 1º Grau’, 111 1824; ‘Plano duma escola graduada, segundo o método PESTALOZZI’, 1825; ‘Projeto de Melhoramento da Instrução Pública’, 1828; ‘Aritmética do 2º Grau’, 1829; ‘Aritmética do 3º Grau’, 1830; Os três primeiros livros do Telémaco de FÉNELON, vertidos do Francês para o Alemão, 1830; ‘Memória sobre a Instrução Pública’, 1831; ‘Gramática Francesa Clássica’, 1831; ‘Manual de Geografia. Para Professores’, 1833; ‘Instrução Prática para Concursos Públicos’, 3 vol. 1845-1847; ‘Catecismo Gramatical. Para Exames’, 1848; ‘Ditados Normativos. Para Exames’, 2 vol. 1850-1854; ‘Gramática Francesa Normal’, 1854 (1h ed.) e 1856 (2ª ed. melhorada). Seguiam-se traduções de obras científicas, escolares e literárias, feitas do Inglês ou do Alemão pelo Professor RIVAIL, coletadas em volumes, e, por fim, também em tradução, uma do Italiano, outra do Espanhol e três da língua inglesa, quatro peças teatrais. Nestas versões e nos seus trabalhos literários não didáticos, RIVAIL assina ‘H. DENIZARD’. Noutra fila, em lombada vermelha, com alto relevo e letras de ouro, três livros in-4 de Amélie BOUDET: ‘Contos Primaveris’, 1825; ‘Noções de Desenho’, 1826; ‘O essencial em Belas Artes’, 1828. E diversas obras de autores clássicos e contemporâneos. Na sala de jantar, guarnecida de móveis de carvalho em verniz marrom, viam-se dois quadros de pesca e caça, alguns pratos com pinturas a óleo, um dos quais, em oval, contendo a cópia da ‘Ceia’ deDA VINCI, com assinatura dum pintor. Um grande Aubisson castanho e florido atapetava quase todo o soalho. * ESSE INTERIOR MODESTO revelava a simplicidade da vida de dois intelectuais, que ali se instalaram desde 15 de julho de 1855, em caráter provisório, à espera da casa própria, na ‘Vila Ségur’, Invalides, ainda em construção. Pagavam de aluguel 1.345 francos por ano, com arrendamento a vencer-se em igual data 1858. A única novidade do apartamento era a iluminação ‘a gás’, instalada havia pouco e que, ainda não dispensava o concurso de 112 velas altas e grossas, em castiçais de metal amarelo, agrupados em lustres ao centro das salas ou isolados, às paredes, ou sobre móveis. As visitas faziam parte da chamada ‘burguesia’. Algumas eram abastadas: BAUDIN, fazendeiro na Ilha da Reunião, no Oceano Indico; DUFAUX, triticultor e vinhateiro em Fontainebleau, onde habitava um castelo rústico, erguido por seus antepassados, valentes guerreiros; ROUSTAN, velho negociante de jóias e relógios na Rua des Martyres n 19, pouco adiante da casa de RIVAIL; ROGER, dono de um serviço de carros de praça, com numerosos veículos e cocheiras pela cidade; CARLOTTI, proprietário e fundador dum grande restaurante no Boulevard des Italiens; LECLERC e CANU, capitalistas e rendeiros, com atividade em vários negócios; FORTIER, antigo caixeiro viajante, exercia, de há muito tempo, a profissão licenciada de Magnetizador e Massagista; JAPHET, a de guarda-livros em casas comerciais. As Senhoras DE PLAINEMAISON e DE CARDONE viviam de rendas deixadas pelos falecidos maridos. LECLERC e CANU tinham a alcunha de ‘Brésiliens’, que os desvanecia. Vieram ao Brasil, em 1842, numa leva de cem famílias francesas,contratadas por DOM PEDRO II, para fundarem, pelo sistema socialista de FOURRIER (42), a ‘Colônia do Sahy’, em Santa Catarina. Foram tais famílias selecionadas por suas crenças ‘espiritualistas’, incumbindo- se da seleção o Professor JOBARD, Presidente Perpétuo do MUSEU INDUSTRIAL de Bruxelas, fundador da ‘Escola de Magnetismo Espiritualista’ da Bélgica e mais tarde, Vice- Presidente da SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS, criada, por ALLAN KARDEC, em 1 de abril de 1858. Trouxe-as, ao Brasil, em navio francês, o Doutor Benoit MURE — o nosso BENTO MURE — introdutor da ‘Homeopatia’ e do ‘Magnetismo Espiritualista’ em nossa Terra, fundador, no Rio de Janeiro, da ‘Escola Hahnemaniana’ em sua fase primitiva. CANU primeiro e LECLERC em seguida, afastaram-se, em 1843, da ‘Colônia do Sahy’, por julgarem inviável o plano socialista de FOURRIER. Tiveram a sorte de prosperar na Corte. Viúvo, CANU, Professor de Francês, contraiu novas núpcias com 113 brasileira rica e com ela foi morar em Paris, desde 1846. LECLERC dedicou-se à compra e venda de vitualhas para navios e, abastado, voltou à pátria em 1854, deixando descendentes no Brasil.

 

 

 

(42) FOURRIER (Charles) Filósofo e sociólogo francês, nascido em Besançon (1772- 1837). O sistema de Fourrier, ou fouriénsme, previa a associação das pessoas num falanstério (habitação da comuna societária). Canuto Abreu refere-se a Fourrier como notável precursor do Espiritismo e do regime social.

Recomendado por Carlos França.

INTRUÇÕES DE ALLAN KARDEC AOS ESPÍRITAS DO BRASIL, NA SOCIEDADE ESPÍRITA FRATERNIDADE, PELO MÉDIUM FREDERICO JÚNIOR

Autor: Canuto de Abreu. Livro: Bezerra de Menezes

A 5 de fevereiro de 1889 manifestava-se Allan Kardec através do médium Frederico Pereira da Silva Júnior, mais conhecido por Frederico Júnior, dizendo: “Eis que se aproxima para mim o momento de cumprir minha promessa, vindo fazer convosco em particular e com os espíritas em geral um estudo rápido e conciso, sobre a marcha da nossa doutrina nesta parte do planeta. É natural que a vossa bondade me forneça para isso o ensejo, na próxima sessão prática, servindo-me do médium com a mesma passividade com que o tem feito das outras vezes. A ele peço, particularmente, não cogitar de forma da nossa comunicação, não só porque dessa cogitação pode advir alteração dos pensamentos, como ainda porque acredito haver necessidade, sem ofensa à sua capacidade intelectual, de submeter a novos moldes, quanto à forma, aquilo que tenho dito e vou dizer em relação ao assunto.

Realmente, na sessão seguinte, na sede da “Sociedade Espírita Fraternidade”, no Rio de Janeiro, manifestou-se o Espírito do Codificador, dando as seguintes instruções ao espíritas brasileiros, que na época viviam em constantes dissensões e rivalidades.

INTRUÇÕES DE ALLAN KARDEC AOS ESPÍRITAS DO BRASIL, NA SOCIEDADE ESPÍRITA FRATERNIDADE, PELO MÉDIUM FREDERICO JÚNIOR

 



* Paz e amor sejam convosco

Que possamos ainda uma vez, unidos pelos laços da fraternidade, estudar essa doutrina de paz e amor, de justiça e esperanças, graças à qual encontraremos a estreita porta da salvação futura - o gozo indefinido e imorredouro para as nossas almas humildes.

Antes de ferir os pontos que fazem o objetivo da minha manifestação, devo pedir a todos vós que me ouvis – a todos vós espíritas a quem falo neste momento – que me perdoem se porventura, na externação dos meus pensamentos, encontrardes alguma coisa que vos magoe, algum espinho que vos vá ferir a sensibilidade do coração.

O cumprimento de dever nos impõe que usemos de linguagem franca, rude mesmo, por isso que cada um de nós tem uma responsabilidade individual e coletiva e, para salvá-la, lançamos mão de todos os meios que se nos oferecem, sem contarmos muitas vezes com a pobreza de nossa inteligência, que não nos permite dizer aquilo que sentimos sem magoar, não raro, corações amigos, para os quais só desejamos a paz, o amor e as doçuras da caridade.

Certo de que ouvireis a minha súplica; certo de que, falando aos espíritas falo a uma agremiação de homens cheios de benevolência, encetei o meu pequeno trabalho, cujo único fim é desobrigar-me de graves compromissos, que tomei para com o nosso Criador e Pai.

Sempre compassivo e bom, volvendo os piedosos olhos à Humanidade escrava dos erros e das paixões do mundo, Deus torna uma verdade as palavras de seu amantíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e manda o Consolador – o Espírito de Verdade – que vem abertamente falar da revelação messiânica a essa mesma Humanidade esquecida do seu Imaculado Filho – aquele que foi levado pelas ruas da amargura, sob o peso das iniquidade e das ingratidões dos homens!

Corridos os séculos, desenvolvido intelectualmente o espírito humano, Deus na sua sabedoria, achou que era chegado o momento de convidar os homens à meditação do Evangelho – precioso livro de verdades divinas – até então ensombrado pela letra, devido à deficiência da inteligência humana para compreendê-lo em Espírito.

Por toda a parte se fez luz; revelou-se à Humanidade o Consolador prometido, recebendo os povos – de acordo com o seu preparo moral e intelectual – missões importantes, tendentes a acelerar a marcha triunfante da Boa Nova

Todos foram chamados, a nenhum recesso da Terra deixou de apresentar-se o Consolador em nome desse Deus de misericórdia que não quer a morte do pecador – que não quer o extermínio dos ingratos – que antes os quer ver remidos dos desvarios da carne, da obcecação dos instintos!

Sendo assim, a esse pedaço de terra a que chamamos Brasil, foi dada também a revelação da revelação, firmando os vossos espíritos, antes de encarnarem, compromissos de que ainda não vos desobrigastes. E perdoai que o diga: tendes mesmo retardado o cumprimento deles e de graves deveres, levados por sentimentos que não convém agora perscrutar.

Ismael, o vosso Guia, tomando a responsabilidade de vos conduzir ao grande templo do amor e da fraternidade humana, levantou a sua bandeira, tendo inscrito nela – DEUS, CRISTO E CARIDADE. Forte pela sua dedicação, animado pela misericórdia de Deus, que nunca falta aos seus trabalhadores, sua voz santa e evangélica ecoou em todos os corações procurando atraí-los para um único agrupamento onde, unidos, teriam a força dos leões e a mansidão das pombas; onde unidos, pudessem afrontar todo o peso das iniquidade humanas; onde entrelaçados num único segmento – o do amor - , pudessem adorar o Pai em espírito e verdade; onde se levantasse a grande muralha da fé,

Contra a qual viessem quebrar-se todas as armas dos inimigos da luz; onde, finalmente, se pudesse formar um grande dique à onda tempestuosa das paixões, dos crimes e dos vícios que avassalam a Humanidade inteira!

Constituiu-se esse agrupamento; a voz de Ismael foi sentida nos corações. Mas, oh! misérias humanas! À semelhança das sementes lançadas no pedregulho, eles não encontram terra boa para suas raízes e quando aquele Anjo Bom – aquele Enviado do Eterno – julgava ter em seu seio amigos e irmãos capazes de ajudá-lo na sua grande tarefa, santa e boa, as sementes foram mirrando ao fogo das paixões – foram-se encravando na rocha, apesar do orvalho da misericórdia divina as banhar constantemente para sua vivificação!

Ali, onde a humildade devera ter erguido tenda, o orgulho levantou o seu reduto; ali onde o amor devia alçar-se, sublime e esplêndido, até aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo, a indiferença cavou sulcos, a justiça se chamou injustiça, a fraternidade – dissensão!

Mas, pela ingratidão de uns, haveria de sacrificar-se a gratidão e a boa vontade de outros?

Pelo orgulho dos que já se arvoraram em mestres na sua ignorância, havia de sacrificar-se a humildade do discípulo perfeitamente compenetrado dos seus deveres? Não!

Assim, quando os inimigos da luz, quando o Espírito das trevas julgava esfacelada a bandeira de Ismael, símbolo da trindade divina, quando a voz iníqua já reboava no espaço glorificando o reino das trevas e amaldiçoando o nome do Mártir do Calvário, ele recolheu o seu estandarte e fez que se levantasse uma pequena tenda de combate com o nome – FRATERNIDADE!

Era este, com certeza, o ponto para o qual deviam convergir todas as forças dispersas – todos os que não recebiam a semente do pedregulho!

Certos de que acaso é palavra sem sentido e testemunha dos fatos que determinam o levantamento dessa tenda, todos os espíritas tinham o dever sagrado de vir aqui se agrupar, ouvir a palavra sagrada do bom Guia Ismael, único que dirige a propaganda da doutrina nesta parte do planeta, único que tem toda a responsabilidade da sua marcha e do seu desenvolvimento.

Mas, infelizmente, meus amigos, não pudestes compreender ainda a grande significação da palavra FRATERNIDADE.

Não é um termo, é um fato; não é sua palavra vazia, é um sentimento sem o qual vos achareis sempre fracos para essa luta que vós mesmos não podeis medir, tal a sua grandeza extraordinária!

Ismael tem o seu Templo e sobre ele a sua bandeira – Deus, Cristo e Caridade! Ismael tem a sua pequenina tenda, onde procura reunir todos os seus irmãos – todos aqueles que ouviram a sua palavra e a aceitaram como a verdade. Chamam-se FRATERNIDADE!

Pergunto-vos: Pertenceis à Fraternidade? Trabalhais para o levantamento desse Templo cujo lema é Deus, Cristo e Caridade?

Como, e de que modo?

Meus amigos! É possível que eu seja injusto convosco naquilo que vou dizer: - O vosso trabalho, feito todo de acordo – não com a doutrina – mas com o que interessa exclusivamente aos vossos sentimentos, não pode dar bom fruto. Esse trabalho, sem método, sem regime, sem disciplina, só pode, de acordo com a doutrina que esposastes, trazer espinhos que dilacerem vossas almas, dores pungentes aos vossos Espíritos, por isso que, desvirtuando os princípios em que ela assenta, dais entrada constante e funesta aquele que encontrando-vos desunidos pelo egoísmo, pelo orgulho, pela vaidade, facilmente vos acabrunhará, com todo o peso da sua iniquidade. 

Entretanto, dar-se-ia o mesmo se estivésseis unidos? Porventura acreditais na eficiência de um grande exército dirigido por diversos generais, cada qual com seu sistema, com o seu método de operar e com pontos de mira divergentes? Jamais! Nessas condições sé encontrareis a derrota porquanto – vede bem, o que não podeis fazer com o Evangelho – unir-vos pelo amor do bem – fazem os vossos inimigos, unindo-vos pelo amor do mal!

Eles não obedecem a diversas orientações, nem colimam objetivos diversos; tudo converge para a doutrina espírita – revelação da revelação – que não lhes convém e que precisam destruir, para o que empregam toda a sua inteligência, todo do seu amor do mal, submetendo-se a uma única direção!

A luta cresce dia a dia, pois que a vontade de Deus, iniciando as suas criaturas nos mistérios da vida de além-túmulo, cada vez mais se torna patente. Encontrando-se, porém os vossos espíritos, em face da doutrina, no estado precário que acabo de assinalar, pergunto : - Com que elemento contam eles na temerosa ação em que se vão empenhar, cheios de responsabilidade?

Em que canto da Terra já se ergue o grande tabernáculo onde ireis elevar os vossos pensamentos – em que canto da Terra construístes a grande muralha contra o mal, contra a qual se hão de quebrar as armas dos vossos adversários?

Será possível que à semelhança das cinco virgens pouco zelosas, todo o cuidado da vossa paz tenhais perdido? Que repouseis sobre as outras que não dormem e que ansiosamente aguardam a vinda do seu Senhor?

Mas é assim, em que consiste o aproveitamento das lições que constantemente vos são dadas a fim de tornar uma verdade a vossa vigilância e uma santidade a vossa oração?

Se assim é, onde os frutos desse labor fecundado de todos os dias, dos vossos amigos de além-túmulo?

Acaso apodrecem roídas pela traça – trocados pelo bolor dos vossos arquivos repletos de comunicações?

Se assim é, e agora não há voltar atrás, porque já tendes a mão no arado, onde a segurança da vossa fé, a estabilidade da vossa crença, se entregues a vós mesmos, julgando-vos possuidores de grandes conhecimentos doutrinários, afastais, pela prática das vossas obras, aqueles que até hoje têm procurado incessantemente colocar-vos debaixo do grande lábaro – Deus, Cristo e Caridade?

Onde, torna a perguntar, a segurança da vossa fé, a estabilidade da vossa crença, se tendo uma única doutrina para apoio forte e inabalável, a subdividis, a multiplicais, ao capricho das vossas individualidades, sem contar com a coletividade que vos poderia dar a força, se constituíssem um elemento homogêneo, perfeitamente preparado pelos que se encarregam da revelação?

Mas onde a vantagem das subdivisões? Onde o interesse real para a doutrina e seu desenvolvimento, na dispersão que fazeis do vosso grande todo, dando já desse modo um péssimo exemplo aos profanos, por isso que pregais a fraternidade e vos dividis cheios de dissensões?

Onde as vantagens de tal proceder? Estarão na diversidade dos nomes que dais aos grupos? Por que isso? Será porque este ou aquele haja recebido maior doação do patrimônio divino? Será porque convenha a propaganda que fazeis?

Mas par a propaganda precisamos dos elementos constitutivos dela. Pergunto: - onde a Escola de Médiuns? Existe?

Porventura os homens que têm a boa vontade de estudar convosco os mistérios do Criador, preparando seus Espíritos para o ressurgir na outra vida, encontram em vós os instrumentos disciplinados – os médiuns perfeitamente compenetrados do importante papel que representam na família humana e cheio dessa seriedade, que dá uma idéia exata da grandeza da nossa doutrina?

Ou a vossa propaganda se limita tão somente a falar do Espiritismo? Ou os vossos deveres e as vossas responsabilidades, individuais e coletivas, se limitam a dar a nota do ridículo aquele que vos observam, julgando-vos doidos e visionários?

Meus amigos! Sei quanto é doloroso tudo isto que vos digo, pois que cada um dos meus pensamentos é uma dor que repassa profundamente o seu espírito. Sei que as vossas consciências sentem perfeitamente todo o peso das verdades que vos exponho. Mas eu vos disse ao começar: - temos responsabilidades e compromissos tomados, dos quais procuramos desobrigar-nos por todos os meios ao nosso alcance.

Se completa não está a minha missão na terra, se mereço ainda do Senhor a graça de vir esclarecer a doutrina que ai me foi revelada, dando-nos nossos conhecimentos compatível com o desenvolvimento das vossas inteligências, se vejo que cada dia que passa da vossa existência – iluminada pela sublime luz da revelação, se produzirdes um trabalho na altura da graça que vos foi concedida – é um motivo de escândalo para as vossas próprias consciências; devo usar desta linguagem rude do amigo, a fim de que possais, compenetrados verdadeiramente dos vossos deveres de cristãos e de espíritas, unir-vos num grande agrupamento fraterno, onde – avigorados pelo apoio mútuo e pela proteção dos bons – possais enfrentar o trabalho extraordinário que vos cumpre realizar para a emancipação dos vossos Espíritos, trabalho que inegavelmente ocasionará grande revolução na Humanidade, não só quanto à parte da ciência e da religião, como também na dos costumes!

Uma vez por todas vos digo, meus amigos: - Os vossos trabalhos, os vossos labores não podem ficar no estrito limite da boa vontade e da propaganda sem os meios elementares indicados pela mais simples razão. 

Não vem absolutamente ao caso o reportas-vos às palavras de N.S. Jesus Cristo quando disse que a luz não se fez para ser colocada debaixo do alqueire. Não vem ao caso e não tem aplicação, porque não possuis luz própria!

Fazei a luz pelo vosso esforço; iluminai todo o vosso ser com a doce claridade das virtudes; disciplinai-vos pelos bons costumes no Templo de Ismael, Templo onde se adora a Deus, se venera o Cristo e se cultiva a Caridade. Então sim; - distribuí a luz, ela vos pertence.

E vos pertence porque é um produto sagrado de vosso próprio esforço – uma brilhante conquista do vosso Espírito empenhado nas lutas sublimes da verdade.

Fora desses termos, podeis produzir trabalhos que causem embriaguez à vista, mas nunca que falem sinceramente ao coração. Podeis produzir emoções fortes, por isso que muitos são os que gostosamente se entregam ao culto maravilhoso; nunca, porém, deixarão as impressões suaves da verdade vibrando as cordas do amor divino no grande coração humano.

Fora dessa convenção ortodoxa, é possível que as plantas cresçam nos vossos grupos, mas é bem possível que também seus frutos sejam bastante amargos, bastante venenosos, determinando, ao contrário do que devia acontecer, a morte moral do vosso espírito – a destruição pela base do vosso Templo de trabalho!

 

Se o Evangelho não se tornar realmente em vossos espíritos um broquel (Escudo pequeno, usado quando se está na defensiva), quem vos poderá socorrer, uma vez que a revelação tende a absorver todas as consciências, emancipando o vosso século? Se o evangelho nas vossas mãos apenas tem a serventia dos profanos livros que deleitam a alma e encantam o pensamento, que vos poderá socorrer no momento dessa revolução planetária que já se faz sentir, que dará o domínio da Terra aos bons, preparados para o seu desenvolvimento, que ocasionará a transmigração dos obcecados e endurecidos para o mundo que lhes for próprio?


Que será de vós – quem vos poderá socorrer – se à lâmpada do vosso Espírito faltar o elemento de luz com que possais ver a chegada inesperada de Jesus Cristo, testemunhando o valor dos bons e a fraqueza moral dos maus e dos ingratos?

Se fostes chamados às bodas do filho do vosso rei, por que não tomam os vossos Espíritos as roupagens dignas do banquete, trocando conosco o brinde do amor e da caridade pelo feliz consórcio do Cristo com o seu povo?

Se tudo está preparado, se só faltam os convivas, por que cedeis o vosso lugar aos coxos que virão como últimos, a ser os primeiros na mesa farta da caridade divina?

Esses pontos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda, apesar da revelação, não provocaram a vossa meditação?

Esse eco que ressoa por toda a atmosfera do vosso planeta, dizendo – os tempos são chegados! – será um gracejo dos enviados de Deus, com o fim de apavorar os vossos espíritos?

Será possível nos preparemos para os tempos que chegam, vivendo cheios de dissensões e de lutas , como se não constituíssemos uma única família, tendo para regência dos nossos atos e dos nossos sentimentos uma única doutrina?

Será possível nos preparemos para os tempos que chegam, dando a todo momento e a todos os instantes a nota do escândalo, apresentando-nos aos homens como criaturas cheias de ambições que não trepidam em lançar mãos até das coisas divinas para o gozo da carne e a satisfação das paixões do mundo?

Mas seria simplesmente uma obcecação do Espírito – pretender desobrigar-se dos seus compromissos e penetrar no reino de Deus coberto dessas paixões e dessas misérias humanas!

Isso eqüivaleria o não acreditardes naquilo mesmo em que dizeis que credes: seria zombar do vosso Criador que, não exigindo de vós sacrifício, vos pede, entretanto, não transformeis a sua casa de oração em covil de ladrões!

Meus amigos! Sem caridade não há salvação. Sem fraternidade não pode haver união.

Uni-vos, pois, pela fraternidade debaixo das vistas do bom Ismael, vosso Guia e protetor. Salvai-vos pela Caridade, distribuindo o bem por toda a parte, indistintamente, sem pensamento oculto. Aquele que vos pedem lhes deis da vossa crença ao menos um testemunho moral, que os possa obrigar a respeitar em vós o indivíduo bem intencionado e verdadeiramente cristão.

Sobre a propaganda que procurais fazer, exclusivamente para ao vosso seio maior de adeptos, direi: se os meios mais fáceis que tendes encontrado são a cura dos vossos irmãos obsessos, são as visitas domiciliares e a expansão dos fluidos, aí tendes um modesto trabalho para vossa meditação e estudo.

E, lendo, compreendendo, chamai-me todas as vezes que for do vosso agrado ouvir a minha palavra e eu virei esclarecer os pontos que achardes duvidosos. Virei, em novos termos, se for preciso, mostrar-vos que esse lado que vos parece fácil para a propaganda da vossa doutrina é o maior escolho lançado no vosso caminho, é a pedra colocada às rodas do vosso carro triunfante e será, finalmente, o motivo da vossa queda desastrosa, se não empenham numa tão grande causa.

Permita Deus que os espíritas, a quem falo, que os homens, a quem foi dada a graça de conhecerem em Espírito e verdade a doutrina de Nosso senhor Jesus Cristo, tenham a boa vontade de me compreender, a boa vontade de ver nas minhas palavras unicamente o interesse do amor que lhe consagro.



ALLAN KARDEC


 

Recomendado por Carlos França.

Carta do Senador Publius Lentullus ( Emmanuel ) para o Imperador Tibério, na qual ele descreve Jesus física e moralmente.

Esta carta, escrita em fina folha de cobre, está guardada no Convento dos Lazaristas, em Roma.

LENTULUS E JESUS

 

É inevitável que aqueles que não reconhecem a mediunidade de Chico Xavier ou mesmo a noção da reencarnação, levantassem dúvidas quanto à veracidade dos relatos e mensagens obtidas pelo médium mineiro.

Entretanto, os seguidores do Espiritismo podem apresentar uma prova de que Publius Lentulus realmente existiu e conheceu Jesus, através de uma carta encontrada nos arquivos do Duque Cesari, de Roma – documento que faz parte da biblioteca da Ordem dos Lazaristas de Roma. Trata-se de uma inscrição feita em folha de cobre, encontrada no interior de um vaso de mármore.

A carta foi escrita por Públius Lentulus, senador romano, governador da Judéia, e predecessor de Pôncio Pilatos, endereçada ao imperador romano Tibério César.

Nela, Lentulus descreve Jesus, a pedido do imperador que desejava saber de quem se tratava essa pessoa.

A carta diz:

“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é o filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nelas tenham estado. Em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita mortos, cura enfermos, em uma só palavra.

É um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade em seu rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou teme-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura; são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso pelos nazarenos. O seu rosto é cheio, o aspecto muito sereno. Nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada. O nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, separada pelo meio. Seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros. O que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios de sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar.

Faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes,  chorar. Tem os braços e as mãos muito belos.

Na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa.

É o mais belo homem que se pode imaginar, muito semelhante à sua mãe, que é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela.

Porém, se a Majestade Tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escrevestes, dá-me ordens, que não faltarei de manda-lo o mais depressa possível. De letras, faz se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.

Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os Hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos de grande doutrina, como ensina este Jesus.

Muitos judeus o têm como divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade. Eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus. Diz se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele tem praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo: aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.

Vale da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públius Lentulus, presidente da Judéia”.

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